Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros (1978–2021) foi muito mais do que um ator e humorista: ele se tornou um fenômeno cultural no Brasil. Dono de um talento singular para transformar situações cotidianas em gargalhadas coletivas, Paulo marcou gerações com personagens inesquecíveis, especialmente Dona Hermínia, e deixou um legado que atravessa o teatro, a televisão e o cinema nacional.
Início da trajetória
Nascido em Niterói (RJ), em 30 de outubro de 1978, Paulo Gustavo se formou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), uma das mais tradicionais escolas de teatro do país. Seu grande estouro veio no teatro com o espetáculo “Minha Mãe é Uma Peça”, inspirado na relação bem-humorada com sua própria mãe, Déa Lúcia. O monólogo rapidamente conquistou o público e lotou teatros em todo o Brasil.
A peça foi o ponto de partida para a consagração nacional e a transição para o cinema.
Sucesso absoluto no cinema
Paulo Gustavo protagonizou uma das franquias mais lucrativas da história do cinema brasileiro:
Minha Mãe é Uma Peça (2013)
O primeiro filme levou milhões de brasileiros às salas de cinema e apresentou Dona Hermínia ao grande público.
Minha Mãe é Uma Peça 2 (2016)
Superou o sucesso do primeiro e consolidou a franquia como fenômeno de bilheteria.
Minha Mãe é Uma Peça 3 (2019)
Tornou-se uma das maiores bilheterias da história do cinema nacional, ultrapassando 11 milhões de espectadores.
Além da franquia, Paulo Gustavo também participou de:
- “Os Homens São de Marte… E é Pra Lá Que Eu Vou!” (2014)
- “Vai Que Cola – O Filme” (2015)
- “Internet – O Filme” (2017)
- “DPA – O Filme 2: O Mistério Italiano” (2018)
- “Minha Vida em Marte” (2018)
Sua versatilidade transitava entre comédia escrachada, humor de observação e personagens caricatos que refletiam o cotidiano brasileiro.
Televisão e programas de sucesso

Paulo Gustavo também brilhou na televisão, especialmente no canal Multishow e na TV Globo.
Multishow
- “220 Volts” (2011–2019)
Um dos maiores sucessos do canal, onde interpretava diversos personagens femininos e masculinos, mostrando sua capacidade de transformação e improviso. - “Vai Que Cola”
Série de humor ambientada em uma pensão no Méier, que se tornou um dos programas mais populares da TV paga brasileira.
TV Globo
Participou de especiais, programas humorísticos e teve forte presença em atrações da emissora, incluindo homenagens e projetos especiais. Sua popularidade ultrapassava nichos e alcançava diferentes públicos e faixas etárias.
Representatividade e vida pessoal
Paulo Gustavo sempre falou abertamente sobre sua sexualidade e foi um símbolo de representatividade LGBTQIA+ no Brasil. Casado com o médico Thales Bretas, era pai de dois filhos, Romeu e Gael.
Com naturalidade e humor, ajudou a quebrar preconceitos ao levar para a grande mídia uma figura pública assumidamente gay, bem-sucedida, carismática e querida por milhões de brasileiros.
A despedida e o impacto nacional
Em abril de 2021, Paulo Gustavo foi internado com Covid-19. Após semanas de luta, faleceu em 4 de maio de 2021, aos 42 anos. Sua morte comoveu o país e gerou uma das maiores ondas de homenagens da história recente da cultura brasileira.
Artistas, políticos, fãs e instituições culturais prestaram tributos, destacando não apenas seu talento, mas sua generosidade, empatia e humanidade.
Um legado que permanece
Paulo Gustavo transformou experiências pessoais em fenômenos coletivos. Seu humor era popular, acessível e profundamente brasileiro. Ele mostrou que rir da própria realidade pode ser um ato de afeto e resistência.
Hoje, seu nome permanece como referência máxima da comédia nacional contemporânea. Seus filmes continuam entre os mais assistidos, seus personagens seguem vivos na memória afetiva do público e sua contribuição para a cultura brasileira é incontestável.
Paulo Gustavo não foi apenas um humorista. Foi um fenômeno cultural e eterno.














































